Hotel Rural Horta da Moura – Lançamento Azeite Milenar

Em fevereiro recebi um convite muito especial do Hotel Rural Horta da Moura em Monsaraz.
Confesso que não conhecia este hotel mas houve um pormenor que me chamou a atenção. Na Horta da Moura existem 3 oliveiras milenares, sendo que uma delas é a segunda oliveira certificada mais antiga de Portugal, com 2450 anos.
Após a certificação das oliveiras, José Alves – diretor do hotel, teve um sonho, que era nada mais nada menos, que criar um azeite a partir das azeitonas destas oliveiras milenares.
Já diz o ditado que o sonho comanda a vida, e por isso no passado mês de Novembro, em conjunto com a Carmim – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, conseguiu juntar mais de 60 pessoas na Horta da Moura para a apanha da azeitona dessas 3 oliveiras.
No dia 14 de Março foi o lançamento do Azeite Milenar num jantar organizado no hotel Horta da Moura e o blog Apontamentos Gastronómicos foi convidado para este evento tão especial!
Apesar do ponto alto do evento ter sido o jantar do lançamento do azeite Milenar, todo o fim-de-semana que passámos neste hotel foi muito bom. Fomos super bem recebidos!

No dia da chegada foi-nos proporcionada uma visita à horta do hotel, juntamente com outras 2 bloggers (Alquimia dos Tachos e 7gramas de Ternura) e alguns jornalistas espanhóis.

Durante a visita foram-nos transmitidas várias curiosidades sobre as oliveiras e terminou com um belo pic-nic junto da oliveira mais antiga.
Para terem uma noção do tamanho desta oliveira, precisámos de 7 pessoas para abraçar totalmente o tronco.
No pic-nic não faltaram bons produtos da região, como as azeitonas, um paio delicioso, pão alentejano, rábano fatiado (nunca tinha comido mas gostei muito), sumo de laranja natural da horta, e claro, o bom vinho da terra – tinto Monsaraz Millenium da produtora Carmim. Eu que nem aprecio vinho tinto, até bebi uns golinhos e gostei.
Depois deste delicioso lanche, voltámos ao quarto, ou melhor à “nossa casinha”!
Os quartos do hotel são muito giros, fazendo lembrar as casas alentejanas, com uma decoração rústica mas super acolhedora.
A nossa suite era muito bonita e até tínhamos uma lareira de chão na sala. Perfeita para as noites mais frias!
Das janelas fomos brindados com uma vista privilegiada sobre a horta da Moura, e à entrada, um pequeno alpendre, com direito a espreguiçadeira, uma mesinha com 2 cadeiras e imaginem, uma cama de rede só para nós!
Tivemos também a bonita companhia de duas andorinhas que fizeram o ninho mesmo em cima da nossa porta!
À noite fomos para o jantar de lançamento do azeite Milenar que começou com o cante alentejano do grupo coral de Monsaraz. Nunca tinha ouvido cante alentejano ao vivo e é mesmo muito bonito e imponente.
A seguir o diretor do hotel, José Alves, juntamente com a produtora Carmim, apresentaram o tão esperado Azeite Milenar, denominado 2450 Anos. No final foi-nos ainda comunicado que nesse mesmo dia o hotel recebeu uma menção honrosa na categoria de “Melhor Empreendimento Turístico do ano”, o prémio máximo anualmente atribuído pelo Turismo do Alentejo. Estão de parabéns!
O jantar começou da melhor forma. No couvert foi-nos servido uma tacinha de Azeite Milenar. A primeira coisa que notei foi a sua cor esverdeada (apesar de não parecer na fotografia) ao contrário da cor amarelada que estamos habituados a ver no azeite normal.
Este é um azeite extra virgem, de extração a frio, tendo uma acidez quase nula – cerca de 0,1%.
O sabor é realmente muito bom, tem um aroma suave e nota-se um travo amendoado característico da variedade “Galega”.
Infelizmente este ano o Azeite Milenar não vai chegar ao circuito comercial dado que as três oliveiras “só” deram 1900kgs de azeitonas, o que perfez apenas cerca de 800 garrafas de 250ml de azeite.
Para nossa felicidade quando chegámos ao quarto fomos presenteados com uma garrafinha deste azeite na sala! Ficámos muito contentes por nos terem oferecido uma garrafa desta primeira colheita, o design é lindo. Vamos tentar que fique para coleção!
Depois de provarmos o azeite, passámos ao buffet do jantar, recheado de iguarias alentejanas.
Para terem uma ideia do que vos falo, a mesa era composta por: sopa de espinafres com bacalhau e queijo, migas gatas (bacalhau), de azeitona e de espargoslombo de porco recheado com piso de azeitona, bacalhau confitado em azeite e ervas do monte, cabeça de porco com molho de cebolada, enchidos do montado, orelha de porco de coentrada, salada de pimentos e tomate com queijo fresco.
Comecei com a sopa de espinafres com bacalhau (sem queijo). Estava muito boa mas achei que podia ter mais lascas de bacalhau para lhe dar um pouco mais de sabor.
A cabeça e a orelha de porco não as provei mas o namorado adorou.
Os enchidos também estavam muito saborosos, o paio era qualquer coisa de muito bom.
Provei depois o lombo de porco recheado com piso de azeitona. A fatia que me calhou não tinha praticamente recheio mas também não me importei porque a carne do lombo de porco compensou.
Era super saborosa, tenrinha e nada seca. Foi provavelmente um dos melhores lombos de porco que já comi. Nem costumo optar por este tipo de comida em buffets porque normalmente é “mais do mesmo” mas este lombo estava mesmo MUITO bom.
Para acompanhar escolhi as migas gatas, de azeitona e de espargos. Estavam todas muito saborosas mas tenho de destacar as migas gatas que estavam realmente deliciosas.
Quando ia para experimentar o bacalhau confitado, infelizmente já não havia e não chegou a ser reposto.
Passei então para as sobremesas, também em sistema buffet. Uma desgraça!
Tentei provar um pouco de tudo mas fiquei rendida à sopa dourada e à mousse de chocolate. Gostei também muito da laranja com canela e azeite. Diferente mas bem conseguido em termos de sabor.
Durante o jantar foi servido vinho tinto Monsaraz reserva e vinho branco Millenium, ambos da produtora Carmim. Não provei o vinho tinto mas gostei bastante do vinho branco e até acabámos por comprar umas garrafas cá para casa.
No final fomos ainda brindados com a presença musical de Pedro Mestre, um músico alentejano e um dos poucos tocadores de viola campaniça. 
Além de ter tocado viola campaniça, acompanhou também algumas canções de cante alentejano.
Não conhecia o trabalho de Pedro Mestre mas gostei muito de o ouvir tocar esta viola tradicional do alentejo e das canções que nos apresentou, algumas bem conhecidas da nossa infância.
No dia seguinte, após o belíssimo pequeno-almoço no restaurante do Hotel, fomos convidados pelo Sr. José Alves para fazer uma visita guiada à propriedade.
Os espaços exteriores aos quartos são mesmo muito bonitos. Passámos pela piscina que é maravilhosa, daquelas sem fim, com uma vista lindíssima sobre a horta.
No verão o hotel costuma organizar alguns eventos na zona da piscina, com comida, musica e ainda animação para as crianças com um contador de histórias.
Depois seguimos para a sala de jogos que tem uma enorme lareira de chão e um alpendre muito bonito rodeado de flores.
Um dos pontos mais engraçados desta visita foi na nora de água, onde pudemos ver um burro a retirar a água do poço para um pequeno aqueduto que alimenta a rega da horta.
O hotel conta ainda com um ginásio, cavalos, um picadeiro e uma bonita charrete que faz passeios pela zona.

Para terminar, quero agradecer mais uma vez ao Hotel Horta da Moura pelo convite e por nos ter recebido tão bem. Ficámos com vontade de voltar!

1 Comment

  • Ângelo C. O. Soares diz:

    .

    Angelo C. O. Soares

    19/7 às 12:25 · Lisboa, Distrito de Lisboa ·

    ..

    Foi descodificado o genoma da oliveira certamente o caminho para conhecermos a razão de existirem em Portugal oliveiras plantadas várias centenas de anos antes do nascimento de Cristo. Conhecemos duas destas arvores, submetidas ao teste de carbono, uma em Povoa de Santa Iria e outra na Urbanização Pedras de El Rei,

    em Tavira. Haverão mais, provavelmente. Mas, com centenas de anos, teremos muitas oliveiras viçosas e a produzirem azeitona que irá para o lagar juntamente com a colhida de árvores mais novas. Quanto estaremos a desperdiçar ?
    Deixamos ás nossas Universidades e aos seus cientistas informarem-nos da influência benéfica para a saúde humana que o genoma agora conhecido poderá ter num tipo de azeite selecionado a partir da idade da árvore produtora e que seria altamente valorizado.

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